quinta-feira, 9 de maio de 2013

Meu paraíso em "H"




Num Natal qualquer, lá pelos anos de 198..., quando eu ainda era uma criança, ganhei um presente, não me lembro de quem, com um cartão. O cartão tinha uma paisagem, uma das mais belas que eu já tinha visto. Me apaixonei à primeira vista. Para mim, era o mais próximo de um dito paraíso, apesar de não crer na existência de nenhum. O problema era que aquele lugar mágico era apenas uma pintura, como em um quadro. Será que o artista de pincéis “divinos” havia idealizado aquela vila à beira de um lago negro ou havia realmente se sentado no alto de uma montanha, com vista privilegiada, e embriagado com tal visão inebriante, pintado um lugar concreto e ontológico?

Enfim ... meu paraíso existiria ou seria apenas um sonho?

Não creio em vida após a morte. Alguém me disse, um dia, que seria legal (e, conveniente) se houvesse vida nesse “outro lado” e, melhor ainda, se pudéssemos escolher onde gostaríamos de passar a eternidade. Seria como um mundo divino e virtual. Louco. Se isso fosse possível, eu já tinha escolhido. Não seria Paris, nem o Tibete nem outro planeta. Minha morada eterna seria o meu paraíso da capa do cartão de Natal da melhor década de minha vida. H.

Algumas semanas atrás, encontrei meu paraíso. Ele existe. A vila é real. O lago negro é real. As casas, as ruas, as montanhas. Tudo está lá exatamente como em meu cartão de Natal. Não era uma imagem hipotética, fictícia. É real. É H.

Não creio em vida após a morte. Mas, se houver, estarei em H. 


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