quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A beleza do cinza



    O céu azul costumava ser imperativo. Azul royal. Sem nuvens. O sol, único elemento do cenário ideal. Esse era o contexto de um dia perfeito para muita serotonina, a substância "mágica", calmante e sedativa. Uma verdadeira droga lícita. Exagero de bom humor. Céu para boas músicas e bons livros. E a vida seguia ao sabor de uma leve e fresca brisa.
    Alguém, no entanto, diz que é bom apreciar o dia cinzento, nublado. Frio. Garoa. Ficava em êxtase. Há poesia neste contexto também. Apesar de não concordar a princípio, a declaração parte de alguém demais interessante, com ideias atrativas e mente brilhante. Alguém que não diz sem incertezas. Confio nesse alguém.
    O céu cinzento traz melancolia, nostalgia, saudades. Denota uma beleza triste, mas uma tristeza admirável. O céu cinzento e nublado começa a ganhar simpatia e respeito. O contexto mudou.
    O céu azul já não é mais imperativo. Onde está a garoa gelada batendo em meu rosto enquanto a vida segue ao sabor dos passos apressados da metrópole megalomaníaca?

   

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